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Histórico

Atualizado em 13/06/19 11:05.

O Grupo de Pesquisa e Formação em Educação Matemática - MATEMA -  é o resultado de esforços somados, na última década, por alguns pesquisadores em Educação Matemática vinculados ao Programa de Mestrado em Educação em Ciências e Matemática da Universidade Federal de Goiás - MECM/UFG. Ele foi consolidado, efetivamente, no primeiro semestre do ano de 2015, por um grupo de 12 integrantes, contemplando, em sua estrutura, a participação de professores e pesquisadores que atuam tanto na Educação Básica de Ensino, quanto na Educação Superior. Desta forma, então, o grupo Matema é empreendido como uma comunidade constituída por pessoas que se reúnem em voga à (Educação) Matemática desde uma multiplicidade de discussões, que tentam fomentar suas ressignificações, até implicações que vão além de perspectivas escolares, pedagógicas e curriculares.

O Matema surge com o intuito de incentivar o debate dos assuntos intrínsecos às pesquisas realizadas em Educação Matemática, especialmente, no estado de Goiás, bem como visa valorizar, por meio do intercâmbio entre os conhecimentos teóricos e práticos, a integração dos participantes num processo contínuo de formação. Neste movimento, as ações desenvolvidas incidem, direta ou indiretamente, na perspectiva de pensar a (Educação) Matemática a partir de um processo maior e mais significativo das relações da sociedade humana, com seus processos históricos, políticos e culturais, com suas estruturas linguísticas, psíquicas e educativas, bem como com seus instrumentos tecnológicos e científicos.

O grupo Matema se alicerça em um movimento múltiplo e dinâmico, tendo como pano de fundo as diversas literaturas que privilegiem o diálogo com as políticas públicas educacionais, os processos de ensino e aprendizagem de matemática, a formação inicial e continuada dos professores, a etnomatemática, o lúdico, as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), entre tantas outras correntes de estudo. Desta forma, este grupo torna-se um espaço de formação partilhada, capaz de colocar os integrantes frente às situações reais, que os convidam à tomada consciente de reflexões e decisões, com vistas à superação de problemáticas e limitações afloradas pela realidade da Educação. Torna-se também um cenário possibilitador da construção do conhecimento por meio de produções científicas, originadas a partir das relações estabelecidas, entre as distintas etapas do processo, entre os pesquisadores.

A dinâmica do trabalho adotada pelo grupo promove um movimento contínuo e cíclico de reflexão-produção-contribuição por meio de trocas de experiências entre os saberes teóricos e práticos, que tangem a consolidação da construção do conhecimento. Assim, o Matema, enquanto espaço organizacional, oportuniza aos seus sujeitos, a partir de sua inserção na pesquisa, condições para a percepção do quão plural e singular são os conhecimentos produzidos em Educação Matemática. A organização de planejamento e intervenções, deste grupo, estão à luz de posturas de reconhecimentos que não tornam isoladas e hierárquicas, espacialidades e temporalidades culturais em detrimento de outras, complexos de explicação, mas, sim, é munida pela  interação colaborativa, pelas trocas e, principalmente, pelo diálogo permanente entre os sujeitos e suas práticas e teoricidades.

A perspectiva de formulação do Matema dialoga com as concepções apontadas por D’Ambrosio, isso porque conjugamos os pressupostos da Educação Matemática com diferenciais campos do saber, das Ciências Exatas e das Humanas; com diferenciais espaços de aprendizagem, formais e não-formais; com diferenciais contextos em questão na sociedade pós-moderna do século XXI. Tais movimentos devem suscitar uma atitude aberta, hermenêutica e holística, de respeito e humildade, para além da vaidade, que pode gerar os contextos institucionais, principalmente aqueles ligados à Matemática institucionalizada. Foi conjugando, assim, a Educação Matemática com a Antropologia Cultural e Ciências da Cognição, com as teorias de etnociências, que Ubiratan D’Ambrosio, nos últimos tempos, tem criticado e deslocado a ótica estrutural e logocêntrica da Matemática, como do conhecimento em sua globalidade. Desta forma, o grupo Matema tenta repousar sobre a cartografia dessas multiplicidades, sobre as diversidades das vidas e suas variáveis que são muitas, merecendo novos entendimentos construídos não numa perspectiva de fala dominante e fragmentada, mas em entendimentos outros que se distanciam dos títulos e jargões institucionais, procurando entender o ser em sua totalidade.

O estudo pela Educação Matemática, no cenário do Matema, é empreendido numa dimensão das nossas vidas, que não é traçada solitariamente, nem tampouco de forma unívoca, mas sempre diferencialmente disseminada e em comunidade, em grupo. É plural, é dialógico como conhecimento em sua formulação e amadurecimento da categoria da etnomatemática enquanto entendimento e problematização de que diferentes artes ou técnicas de explicar, de conhecer e de aprender (matema) são desenvolvidas nos diferentes contextos humanos, entre elas, as de matematizar, logo se transformou em um lócus de transformação crítica e social, a fim de resgatar o ser humano e sua dignidade.

Desta forma, numa perspectiva mais centrada na etnomatemática do pensamento, que é transdisciplinar por excelência, convoca-nos a observar e experimentar questões relativas à Matemática de um modo outro, interessados, sobretudo nos processos de construção, organização e disseminação do conhecimento. Nestes diálogos, assim, o Matema, refere-se aos nossos gestos intra e interpessoal de lidar com a realidade, de saber-se nela e de saber dela, sendo múltiplas e diversas ao longo da nossa grande comunidade humana. Refere-se à vida e, principalmente, a uma dimensão das nossas vidas que não é estática, mas sempre articulada, sempre verbalizada, uma dimensão das nossas vidas que sempre está em travessia, em movimento e em dialética.